Maré de Agilidade Belo Horizonte: venha surfar nesta onda

A edição mineira do evento Maré de Agilidade, que acontece de 20 a 22 de maio em Belo Horizonte, superou as melhores expectativas dos seus coordenadores e preencheu, em pouco mais de uma semana, todas as 200 vagas oferecidas. A solução encontrada para atender a toda esta demanda reprimida, foi oferecer a opção do streaming ao vivo, no dia 22, como opção para todos aqueles que não conseguiram fazer sua inscrição para participar presencialmente do evento nos dias 20 e 21. As inscrições para o streaming ao vivo já estão abertas e podem ser feitas até o próximo dia 15 de maio, diretamente pelo site www.maredeagilidade.com.br. O pagamento é feito por meio de boleto bancário. O valor para inscrições feitas em abril é de R$ 30,00 e para as feitas em maio, de R$ 50,00.

Esta será a 5ª  edição deste evento iitinerante, que já passou por Brasília, Salvador, Fortaleza e Belém. O objetivo do Maré de Agillidades é disseminar o conhecimento de metodologias ágeis de desenvolvimento, promover networking, criar parcerias, fortalecer a empregabilidade e gerar negócios. Os mini-cursos, workshops e palestras serão ministrados nos dias 20 e 21 na unidade Pitágoras do Bairro Cidade Jardim (Rua Madalena Sofia, 30, no Shopping Jardim, e no dia 22, no pólo presencial da Unopar virtual, na Avenida Alfredo Camaratti, 121 – Pampulha.

Responsabilidade Social

Esta 5ª edição do Maré de Agilidade vai doar toda da renda obtida com as inscrições do evento (descontadas as despesas) para o Centro Espírita Bezerra de Menezes, de Pedro Leopoldo (MG), em homenagem ao centenário de nascimento de Chico Xavier.

Fundado em junho de 1962, a entidade presta vários serviços de utilidade pública para populações carentes da cidade mineira de Pedro Leopoldo (MG), como assistência odontológica, alimentação, distribuição de agasalhos, cestas básicas, entre vários outros benefícios.

Streaming

Quem se inscrever no streamming terá acesso privilegiado aos seguintes conteúdos:

  • Pedro Valente – Yahoo – Product Owner na prática
  • Rodrigo Yoshima – Aspercom – Implantando Scrum – experiências de um Agile Coach
  • Guilherme Silveira – Caelum – Deploy Contínuo: pois integração contínua não basta
  • Heitor Horiz – AdaptWorks – Planejamento e estimativas em projetos ágeis.
  • Carlos Barbieri – Fumsoft MPS.BR com metodologias ágeis
  • Alexadre Gomes – Sea Tecnologia – Escolhas 2.0
  • Manoel Pimentel – Stefanini – Coaching e Facilitação de equipes ágeis
  • Renato Willi – Sea Tecnologia – Agilidade e Licitações

Para quem não foi ágil o bastante e ainda quer participar desta onda, não perca esta segunda oportunidade e inscreva-se no streaming ou junte-se ao pólo de transmissão mais perto de você. Mais informações no site: www.maredeagilidade.com.br.

Desenvolvedores não pensam, desenvolvedores seguem casos de uso

Há algum tempo atrás eu participei de um projeto que se encontrava dentro de um processo absolutamente waterfall, para falar a verdade, a maioria dos softwares desenvolvidos aqui no mercado local seguem o processo em cascata, em sua grande maioria, através de fábricas de software. Bem, durante um certo dia na fase de codificação eu acabei tendo uma dúvida num caso de uso que me foi entregue, para ser mais exato a dúvida era em relação ao negócio da aplicação, ótimo, mesmo dentro de um processo em cascata ainda assim o analista de sistemas (negócios?) estava próximo da equipe de desenvolvedores, fui até ele conversar sobre o que não havia entendido no caso de uso, e ao debater com ele sobre o problema que não estava claro -pelo simples fato de não haver uma linguagem comum entre a equipe- eu ouço da boca do analista o seguinte comentário:

Para que tu quer entender isso? Desenvolvedores não pensam, desenvolvedores seguem casos de uso. Programadores só deveriam pegar o caso de uso, ler e seguir o que ele diz, nada mais. Não há porquê entender as regras de negócio, o caso de uso tem tudo que se precisa saber. Blah blah blah..

Wow! Depois de ouvir isso eu me calei por alguns segundos e pensei comigo mesmo, “Será que ele tem noção do que acabara de me dizer?”, e o pior é que este analista disse isso com uma certa arrogância, na frente de outros analistas (que calados pareciam concordar), logo começamos a discutir, eu tentando dizer que não havia fundamentos no comentário dele e que eu não entendia como ele acreditava naquilo.. depois de alguns minutos eu resolvi encerrar a discussão para evitar constrangimentos para ambos (pois estávamos no cliente).

Parece brincadeira, mas aquilo aconteceu mesmo (eu deveria estar realmente surpreso?!). Pergunto-me como em pleno ano da graça de 2008 um analista com anos de experiência em diversos projetos, formado em uma das melhores universidades do estado, e com certeza com mais alguns (ou até vários) diplomas e certificados debaixo do braço consegue verbalizar tamanha asneira. Mais incrível ainda é como um analista desses consegue acreditar tão fervorosamente que está certo, como ele consegue acreditar que um desenvolvedor é apenas mais um recurso comum para um trabalho manual, e facilmente substituível dentro da famigerada fábrica de software que ele tanto venera, alias, qual é a dificuldade em compreender que um programador não é um “digitador de luxo”? Será que depois de tanto tempo de profissão ele ainda não entendeu que desenvolver software é essencialmente um ato de criação? É, parece que não.

Um desenvolvedor mais do que ninguém deve entender sobre o negócio do cliente, um desenvolvedor deve estar mergulhado no negócio na qual pretende desenvolver o software ou parte dele, de fato, como será que este analista imagina que um desenvolvedor pode implementar algo minimamente decente sem entender o problema? Através da ajuda de alguma entidade sobrenatural?

No fundo, acho que ouvir isso de qualquer profissional no ramo de desenvolvimento de software é um absurdo, e para mim está óbvio que esta pessoa precisa urgentemente voltar a estudar sobre o assunto (pois ela parou de estudar há muito tempo, 10 anos talvez), e claro, mais do nunca ela precisa de uma “reciclagem”.

Engraçado é que este fato me fez lembrar de um acontecimento um tanto quanto embaraçoso interessante que ocorreu no inicio da minha carreira como desenvolvedor, há mais de 3 anos, eu possuía menos que um ano de experiência na época, e havia enviado o currículo a uma empresa que estava ofertando uma oportunidade para desenvolvedor Java, parecia uma boa empresa, depois de enviado o currículo eu recebi uma ligação alguns dias mais tarde para uma entrevista, na época eu fiquei super excitado, e parei para rever meu currículo cuidadosamente, ao reler o currículo vi que não sabia exatamente sobre o que se tratava 2 (dois) projetos na qual havia participado na primeira empresa que trabalhei, eu tinha uma vaga e distante idéia do que havia desenvolvido (em termos do negócio do cliente), mas ainda assim eu não conseguiria explicar a alguém (principalmente a quem fosse me entrevistar) sobre a finalidade dos projetos.

Então durante a semana, eu -na minha mais pura ingenuidade- enviei um e-mail ao meu antigo chefe (que além de ser um empresário, ele também era um talentoso desenvolvedor e amigo) pedindo informações sobre o que se tratavam os projetos que eu havia participado. A resposta dele não foi bem a que eu esperava [rs], porém me abriu os olhos na época. Alguns trechos do e-mail seguem abaixo:

De:rponte@gmail.com Para:boss

Fala amegão,

[…] Seguinte, tu pode me passar um resumo pequeno mesmo, porém decente das aplicações que eu participei ai na empresa para que eu possa colocar no currículo, pode? :))) […]
De ante mão eu te agradeço, abraços.

De:boss Para:rponte@gmail.com

Você não sabe pra que serviam os projetos que participou? rs Então não vale a pena colocar no currículo né? Você coloca que nesses projetos só fez programação pura.

Depois desse e-mail eu fiquei realmente envergonhado, vi que por mais que gostasse de desenvolver software eu não me interessava pelo negócio do cliente, eu não me interessava em entender e aprender sobre ele, o que sempre me interessava eram as tecnologias e os frameworks mais “hypes” do mercado. Entendendo como funcionava o mais novo framework da época já valia a pena estar desenvolvendo algo.

A partir dai, eu resolvi mudar isso, foi um processo lento mas contínuo, graças a certos amigos, blogs (Shoes, Guilherme etc), discussões em listas e fóruns, e muitas linhas de código mal implementadas (claro, como eu poderia implementar algo decente sem entender o problema?) eu procurei compreender sobre o problema do cliente e como expressa-lo em código, eu procurei ler sobre metodologias agéis, abordagens e boas práticas de design de software, maneiras de melhorar a comunicação entre os membros da equipe e várias outras coisas que me ajudaram e me ajudam até hoje.

Depois de tudo que eu estudei e procurei aprender eu ainda tenho que ouvir de um analista que eu não preciso entender sobre o negócio do cliente? Ah, por favor, eu não sou um “programador” que não pensa e simplesmente segue algumas folhas de papel com vários diagramas UML e fluxos alternativos escritos por analistas de sistemas, eu -como desenvolvedor- devo estar tão próximo do negócio quanto for necessário, mas isso é bem complicado quando trabalhamos num modelo em cascata em que a comunicação entre os membros da equipe ocorre através da troca de documentos e diagramas, e pior, quando trabalhamos com “profissionais” que acreditam que isso funciona.

Enfim, já basta os softwares bolovos e sem testes que temos que manter, já basta os processos burocráticos que temos que participar, já basta estarmos rodeados de fábricas de software e code-monkeys preguiçosos, já basta a desvalorização e os péssimos salários pagos aos desenvolvedores, e agora me vêm com analistas de sistemas retrógrados (oops!, pareço redundante) ? Por favor, me perdoem, mas as vezes acho que o mercado local está caminhando para trás quando se fala em desenvolvimento de software, mesmo conhecendo algumas poucas empresas, grupos e bons profissionais dispostos a mudarem isso.

Comentários sobre o workshop “Gerenciamento de Projetos com SCRUM”

Ontem, 29-02-2008, eu participei de um segundo workshop na Fortes Treinamentos, desta vez o workshop foi sobre SCRUM, ele foi ministrado pelo Alexandre Magno da Caelum, e novamente volto a afirmar, assim como o primeiro workshop que participei na Fortes, também ministrado pelo pessoal da Caelum, valeu cada centavo investido. O workshop foi muito proveitoso e abordou uma visão geral sobre gerenciamento de projetos com SCRUM, tema este que eu nunca parei para acompanhar mais de perto, porém que sempre me interessou.

No workshop o Alexandre abordou o assunto nos aspecto conceituais e práticos, contudo muito mais no aspecto prático e dinâmico, com isso ele conseguiu realmente prender a atenção dos alunos. O Alexandre ministrou o workshop com uma excelente didática e deixou as últimas quatro (4) horas muito dinâmicas e práticas, foi fantástico. Com as dinâmicas foi fácil observar alguns erros comuns que costumamos cometer no gerenciamento de projetos, houve dinâmicas em que todas as equipes erraram e isso serviu de lição para todos 😀

Lá eu encontrei gerentes de muitas empresas de TI daqui da cidade de Fortaleza, alguns bem jovens no ramo e a maioria já há um bom tempo trabalhando como gerente de projetos nas suas respectivas empresas, isso foi muito interessante pois com as diversas perguntas, discussões e debates que ocorreram durante o workshop eu aprendi muito com a experiência de cada um, e principalmente com os comentários do Alexandre. Em contra partida observei que algumas empresas ainda insistem muito no modelo em cascata e isso me deixou um pouco preocupado, mas com toda certeza se os gerentes destas empresas estavam neste workshop é porque enxergaram que há problemas em seus projetos e estão em busca de soluções, e isso é um bom sinal. Ah, haviam também algumas empresas que já implantaram e/ou estavam implantando XP e/ou SCRUM em seus projetos, e eles estão de parabéns.

Algo que realmente ficou notório durante o evento é que o maior problema nas empresas, gerentes e equipe de desenvolvimento está ligado a quebra de paradigma, ou seja, está intimamente ligada a cultura daquela empresa ou equipe. Não é fácil a mudança de um modelo burocrático e em cascata para um modelo ágil e iterativo como SCRUM, isso leva tempo e muito estudo, mas eu acredito que vaila a pena investir nesse modelo se todos da equipe concordarem em aderi-lo em algum projeto.

Enfim, o workshop foi excelente, e espero que mais workshops ministrados pelo pessoal da Caelum apareçam por aqui.
Gostaria de agradecer e parabenizar a Fortes Treinamentos por nos ter cedido novamente a oportunidade de um curso de qualidade, e principalmente ao Alexandre Magno pelo excelente workshop.

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Comentários do Alexandre sobre a passagem dele em Fortaleza,
http://amagno.blogspot.com/2008/03/scrum-fortaleza.html
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Para mais informaçoes, abaixo o blog do Alexandre,
http://amagno.blogspot.com/