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No more DAO’s

Monday, June 8th, 2009

Um dos padrões de projetos mais conhecidos e mais utilizados ainda hoje é o DAO (Data Access Object). Padrão este que teve um papel fundamental há muitos anos, e que ainda hoje em determinados projetos de software desempenha muito bem seu trabalho. Contudo, isto não o torna, de maneira alguma, um padrão que todo arquiteto deveria implementar obrigatoriamente em qualquer aplicação.

Todo design pattern existe para resolver um problema comum de software, e não apenas para ser utilizado como uma receita de bolo em qualquer projeto. E com DAO não seria diferente. A finalidade do DAO é prover uma interface com operações para acesso a dados que abstraiam os detalhes do mecanismo de persistência (seja um banco de dados, ou não), ponto final.

Sua utilização há alguns 5 ou 6 anos atrás fazia todo sentido pois naquela época ainda erámos obrigados a trabalhar com JDBC puro e frameworks de persitência bem precários. Isto é, não tinhamos bons frameworks que abstraíssem de maneira satisfatória o acesso aos dados da aplicação (99% das vezes um banco de dados).

Por isso todo projeto de software daquela época implementava seu próprio DAO para evitar a mistura de código de negócios com código SQL (e mais alguns objetos de persistência), e assim diminuir o acoplamento entre as camadas (layers).

O problema é que hoje em dia com todos os consagrados frameworks para persistência ainda temos arquitetos implementando seu próprio DAO em todo e qualquer projeto de software que eles ponham as mãos. Mesmo que na arquitetura tenha-se adotado algum framework ORM (como JPA ou Hibernate) ainda assim temos os benditos DAO’s espalhados pela aplicação.

Sempre que vejo um projeto que adotou algum ORM (muitas vezes JPA) para persistência e me deparo com o famigerado DAO eu pergunto para o arquiteto da solução qual motivo o levou a colocar uma layer a mais na aplicação sobre o JPA. E como sempre recebo a seguinte resposta:

“Ah! para abstrair a camada de persistência. Assim se futuramente for necessário mudar de JPA para qualquer outra tecnologia, como JDBC puro, vai ser bem simples, pois bastaria criarmos outra implementação.”

Este tipo de argumento demonstra puro e simplesmente senso comum. Arquitetos que pensam assim pararam no tempo e não acompanharam a evolução das tecnologias ORM para plataforma Java. Outros mesmo atualizados seguem o senso comum. Pois é muito mais cômodo e simples para estas pessoas repetirem sempre a mesma “solução” em cada novo projeto do que se manterem atualizadas e avaliarem outras possíveis soluções.

O mais interessante disso tudo é que basicamente foi criada outra camada genérica para abstrair algo que por si só já é nossa abstração. O que estou querendo dizer, e que certamente foge ao senso comum, é que você não precisa de outra camada, o JPA já abstrai a persistência para você, ele além de muitas outras coisas já está atuando como nossa DAO layer.

A partir do momento que um arquiteto cria esta camada genérica ele está abrindo mão de features importantes de qualquer framework para persistência que ele venha a adotar. Todos os frameworks de persistência seguem filosofias e possuem features diferentes que agregam valor ao software de uma maneira ou de outra, mas que por termos esta camada de abstração não poderemos utiliza-las, caso contrário estaríamos detonando com a “portabilidade” da camada.

Quando adotamos um framework ORM como o JPA/Hibernate, não importa o motivo, já temos que ter em mente que nossa aplicação (principalmente o domain model) estará “mergulhada” nas features do framework, como anotações, contexto de persistência, lazy loading, dirty checking etc. Simplesmente mudar a implementação do DAO -como muitos acreditam- não garantirá que nossa aplicação continuará funcionando.

Ter esta camada extra de abstração (seu próprio DAO) pode matar o que de melhor seu framework ORM pode te oferecer, já que sua aplicação deverá funcionar independente da implementação utilizada. Por isso reflita se é melhor ter um full-ORM com um half-DAO do que ter um switchable-DAO com um half-ORM. Eu, particularmente, prefiro um full-ORM.

Antes que algum fanático por DAO venha aqui me crucificar, eu não tenho nada contra DAO layers, assim como também não acho que JPA tenha vindo para mata-lo. Mas acredito que este design pattern tem o seu lugar e deveria ser utilizado adequadamente, e não como uma camada obrigatória na aplicação.

Não existe uma receita de bolo para quando utilizar seu DAO genérico particular ou não. Cada projeto tem suas peculiaridades e estas devem ser analisadas com seus devidos cuidados. Mesmo eu achando que hoje em dia (a não ser que você esteja implementando o framework caseiro da sua empresa) não precisamos de tanta preocupação quanto a isso.

Para o caso especifico do JPA, utilize diretamente o EntityManager no lugar da sua abstraçao de DAO genérica, principalmente se você estiver implementando CRUDs, e utilize DAO’s onde for realmente necessário e fizer sentido. Bem mais simples, e bem menos artefatos na tua aplicação para manter.

Enfim, esse tipo de discussão sobre abstrair um framework ORM com uma camada DAO não vem de hoje, datam de meados de 2005 ou até menos. Meu conselho é que você não crie uma camada a mais para tentar abstrair o que por si só já é sua abstração. Trabalhe com o que o framework ORM te fornece, de preferência da melhor forma possível.

Não existe segredo: desenvolvedores e designers precisam colaborar entre si

Wednesday, February 18th, 2009

Durante o desenvolvimento “Enterprisey” de aplicações web temos dois papéis realmente importantes dentro da equipe: o desenvolvedor e o [web] designer. Cada um possui suas atividades bem definidas durante o desenvolvimento do software, mas em algum momento será necessário que eles sentem juntos e colaborem para definir os detalhes da GUI.

Eles não irão colaborar entre si para definir a identidade visual da aplicação [não que não seja possível], mas sim para acertarem os detalhes “baixo nível” da interface ou mesmo como definir melhor a experiência do usuário. No final das contas, eles podem discutir sobre css, javascript, tags de marcação XHTML ou uma melhor disposição dos componentes visuais.

E isso é comum com qualquer tecnologia para web, seja ela PHP, RubyOnRails, .Net ou mesmo Java.

Mas o que eu realmente não entendo é porque muitos profissionais (desenvolvedores, gerentes, designers etc) encaram que desenvolvedor e designer não precisam -ou mesmo não deveriam- discutir sobre o design da interface da aplicação.

O que difere a comunicação entre um desenvolvedor e um analista de negócios que tentam definir ou acertar detalhes sobre o modelo de domínio da aplicação, e a comunicação entre um desenvolvedor (ou analista) e um designer que tentam acertar detalhes da interface com o usuário?

Nenhuma! Não há qualquer diferença, eles conversam e colaboram entre si com a mesma finalidade: terem software funcionando e que agregue valor ao cliente.

O que leva tantos profissionais a pensarem que desenvolvedor e designer são “peças” isoladas durante o desenvolvimento do software? Um modelo em cascata, talvez. Por estarem trabalhando num processo fabril de fábrica de software, talvez.

Não sei ao certo o motivo, mas sei que uma boa parte da culpa está na “balela” que algumas empresas-de-três-letrinhas tentam empurrar sobre seus clientes e/ou desenvolvedores que utilizam suas tecnologias/ferramentas. Um bom exemplo disso é a tecnologia JSF, na qual temos a descrição abaixo dada pela Sun:

Ease-of-use being the primary goal, the JavaServer Faces architecture clearly defines a separation between application logic and presentation while making it easy to connect the presentation layer to the application code. This design enables each member of a web application development team to focus on his or her piece of the development process, and it also provides a simple programming model to link the pieces together. For example, web page developers with no programming expertise can use JavaServer Faces UI component tags to link to application code from within a web page without writing any scripts.

Por mais bonito que isto pareça ser, eu tenho o dever de alertar aos mais desavisados: isso dificilmente irá funcionar durante o desenvolvimento com JSF - para falar a verdade, eu acho muito dificil que qualquer tecnologia hoje em dia consiga prover tamanha separação de responsabilidade (entre designer e desenvolvedor) de forma transparente e produtiva.

Qualquer desenvolvedor web que se preze possui, ao menos, os conhecimentos mínimos sobre XHTML, css e javascript para entender e manter algum código escrito por outra pessoa ou mesmo por um web designer. Se você é um desenvolvedor web e não possui qualquer conhecimento sobre o que eu disse acima então já está mais do que na hora de você aprender.

Não subestimando os designers, pois eu conheço alguns muito bons, mas se levássemos essa separação de responsabilidades ao pé da letra você acha mesmo que eles conseguiriam desenhar excelentes interfaces utilizando apenas as taglibs dos componentes ou conjuntos de componentes JSF?

Alias, você acha mesmo que um designer teria produtividade ou conseguiria expressar sua criatividade limitado apenas a algumas dezenas de tags, por mais ricos que sejam os componentes, visualmente falando? Isso pode piorar ainda mais se este designer for obrigado a utilizar algum editor -com o qual ele nunca trabalhou- apenas por causa do suporte a code-completion para as tags dos componentes.

JSF é uma boa tecnologia, e por mais que ela nos forneça centenas de componentes, frameworks para templating de páginas e estes componentes possuam um sistema de skinning ainda assim no final das contas teremos XHTML (css e javascript também) gerado. Sendo, de duas, uma: ou o designer deve ter conhecimento sobre o código gerado pelos componentes ou ele deve ter conhecimento de como trabalhar com o suporte a skinnking dos componentes.

Qualquer que seja a opção acima, o designer estará com mais responsabilidades do que o necessário. Por isso é tão importante a interação entre um designer e um desenvolvedor para solucionar problemas decorrentes da tecnologia adotada.

Eu falo tudo isso por experiência própria, pois há alguns meses eu tive uma razoável dificuldade para aplicar o css, definido no prótotipo do sistema, nos componentes JSF da aplicação, atividade esta que deveria ser relativamente simples. Sim, o conjunto de componentes que eu utilizei suportava skinning, mas quem disse que isso é suficiente quando o XHTML gerado por alguns componentes mais complexos é totalmente diferente do XHTML escrito pelo designer?

Foram vários dias adaptando o css da aplicação e, ao mesmo tempo, discutindo e redefinindo com os designers alguns pontos do css do prótotipo para que no final tivessemos o resultado ideal. E com certeza eu não teria sucesso nesta atividade se não fosse pelos dois grandes designers da equipe, Carlinhos e Anderson, que sentaram ao meu lado algumas longas horas durante a semana para me ajudar.

Certamente que há casos onde não podemos contar com um designer na equipe, como:

  • projetos em que a presença do designer é inexistente na equipe e algum desenvolvedor precisa assumir mais este papel;
  • o designer faz parte da equipe, mas por algum motivo ele sempre encontra-se impossibilitado de interagir com ela nos momentos de maior necessidade;
  • ou nos piores casos, o protótipo da aplicação foi criado por outra empresa.

Para cada situação é possível chegarmos a uma solução milhares de vezes melhor do que apenas ignorar o problema de que não há um designer na equipe - mas não é esta a questão do post.

Enfim, é muita ingenuidade (ou falta de conhecimento) destas pessoas que acreditam que desenvolvedores e designers [ou quaisquer membros da equipe] não precisam colaborar entre si para alcançar um resultado ideal que agrade o cliente.