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Não existe segredo: desenvolvedores e designers precisam colaborar entre si

Wednesday, February 18th, 2009

Durante o desenvolvimento “Enterprisey” de aplicações web temos dois papéis realmente importantes dentro da equipe: o desenvolvedor e o [web] designer. Cada um possui suas atividades bem definidas durante o desenvolvimento do software, mas em algum momento será necessário que eles sentem juntos e colaborem para definir os detalhes da GUI.

Eles não irão colaborar entre si para definir a identidade visual da aplicação [não que não seja possível], mas sim para acertarem os detalhes “baixo nível” da interface ou mesmo como definir melhor a experiência do usuário. No final das contas, eles podem discutir sobre css, javascript, tags de marcação XHTML ou uma melhor disposição dos componentes visuais.

E isso é comum com qualquer tecnologia para web, seja ela PHP, RubyOnRails, .Net ou mesmo Java.

Mas o que eu realmente não entendo é porque muitos profissionais (desenvolvedores, gerentes, designers etc) encaram que desenvolvedor e designer não precisam -ou mesmo não deveriam- discutir sobre o design da interface da aplicação.

O que difere a comunicação entre um desenvolvedor e um analista de negócios que tentam definir ou acertar detalhes sobre o modelo de domínio da aplicação, e a comunicação entre um desenvolvedor (ou analista) e um designer que tentam acertar detalhes da interface com o usuário?

Nenhuma! Não há qualquer diferença, eles conversam e colaboram entre si com a mesma finalidade: terem software funcionando e que agregue valor ao cliente.

O que leva tantos profissionais a pensarem que desenvolvedor e designer são “peças” isoladas durante o desenvolvimento do software? Um modelo em cascata, talvez. Por estarem trabalhando num processo fabril de fábrica de software, talvez.

Não sei ao certo o motivo, mas sei que uma boa parte da culpa está na “balela” que algumas empresas-de-três-letrinhas tentam empurrar sobre seus clientes e/ou desenvolvedores que utilizam suas tecnologias/ferramentas. Um bom exemplo disso é a tecnologia JSF, na qual temos a descrição abaixo dada pela Sun:

Ease-of-use being the primary goal, the JavaServer Faces architecture clearly defines a separation between application logic and presentation while making it easy to connect the presentation layer to the application code. This design enables each member of a web application development team to focus on his or her piece of the development process, and it also provides a simple programming model to link the pieces together. For example, web page developers with no programming expertise can use JavaServer Faces UI component tags to link to application code from within a web page without writing any scripts.

Por mais bonito que isto pareça ser, eu tenho o dever de alertar aos mais desavisados: isso dificilmente irá funcionar durante o desenvolvimento com JSF - para falar a verdade, eu acho muito dificil que qualquer tecnologia hoje em dia consiga prover tamanha separação de responsabilidade (entre designer e desenvolvedor) de forma transparente e produtiva.

Qualquer desenvolvedor web que se preze possui, ao menos, os conhecimentos mínimos sobre XHTML, css e javascript para entender e manter algum código escrito por outra pessoa ou mesmo por um web designer. Se você é um desenvolvedor web e não possui qualquer conhecimento sobre o que eu disse acima então já está mais do que na hora de você aprender.

Não subestimando os designers, pois eu conheço alguns muito bons, mas se levássemos essa separação de responsabilidades ao pé da letra você acha mesmo que eles conseguiriam desenhar excelentes interfaces utilizando apenas as taglibs dos componentes ou conjuntos de componentes JSF?

Alias, você acha mesmo que um designer teria produtividade ou conseguiria expressar sua criatividade limitado apenas a algumas dezenas de tags, por mais ricos que sejam os componentes, visualmente falando? Isso pode piorar ainda mais se este designer for obrigado a utilizar algum editor -com o qual ele nunca trabalhou- apenas por causa do suporte a code-completion para as tags dos componentes.

JSF é uma boa tecnologia, e por mais que ela nos forneça centenas de componentes, frameworks para templating de páginas e estes componentes possuam um sistema de skinning ainda assim no final das contas teremos XHTML (css e javascript também) gerado. Sendo, de duas, uma: ou o designer deve ter conhecimento sobre o código gerado pelos componentes ou ele deve ter conhecimento de como trabalhar com o suporte a skinnking dos componentes.

Qualquer que seja a opção acima, o designer estará com mais responsabilidades do que o necessário. Por isso é tão importante a interação entre um designer e um desenvolvedor para solucionar problemas decorrentes da tecnologia adotada.

Eu falo tudo isso por experiência própria, pois há alguns meses eu tive uma razoável dificuldade para aplicar o css, definido no prótotipo do sistema, nos componentes JSF da aplicação, atividade esta que deveria ser relativamente simples. Sim, o conjunto de componentes que eu utilizei suportava skinning, mas quem disse que isso é suficiente quando o XHTML gerado por alguns componentes mais complexos é totalmente diferente do XHTML escrito pelo designer?

Foram vários dias adaptando o css da aplicação e, ao mesmo tempo, discutindo e redefinindo com os designers alguns pontos do css do prótotipo para que no final tivessemos o resultado ideal. E com certeza eu não teria sucesso nesta atividade se não fosse pelos dois grandes designers da equipe, Carlinhos e Anderson, que sentaram ao meu lado algumas longas horas durante a semana para me ajudar.

Certamente que há casos onde não podemos contar com um designer na equipe, como:

  • projetos em que a presença do designer é inexistente na equipe e algum desenvolvedor precisa assumir mais este papel;
  • o designer faz parte da equipe, mas por algum motivo ele sempre encontra-se impossibilitado de interagir com ela nos momentos de maior necessidade;
  • ou nos piores casos, o protótipo da aplicação foi criado por outra empresa.

Para cada situação é possível chegarmos a uma solução milhares de vezes melhor do que apenas ignorar o problema de que não há um designer na equipe - mas não é esta a questão do post.

Enfim, é muita ingenuidade (ou falta de conhecimento) destas pessoas que acreditam que desenvolvedores e designers [ou quaisquer membros da equipe] não precisam colaborar entre si para alcançar um resultado ideal que agrade o cliente.

O que todo bom desenvolvedor JSF deveria saber

Monday, January 19th, 2009

Dificuldades todos temos, principalmente quando estamos aprendendo uma nova tecnologia, framework ou paradigma, e isso torna-se ainda pior quando não temos qualquer interesse em aprender sobre os mesmos.

Não é de hoje que percebo que a maioria das dúvidas postadas sobre JSF em listas de discussão e fóruns estão intimamente ligadas a falta de conhecimento base sobre a tecnologia ou mesmo sobre os conceitos na qual o framework (JSF) foi construído - sim, estou falando de conceitos sobre desenvolvimento web e component-based.

É óbvio que JSF existe para tentar abstrair toda a complexidade existente no desenvolvimento web Java, complexidade esta que deveríamos evitar, mas é indispensável termos o mínimo de conhecimento sobre a mesma. Pois se você acha que apenas conhecendo os componentes você construirá uma aplicação decente então você está enganado.

Assusto-me com o número de dúvidas na javasf em que o mínimo de conhecimento sobre web seria suficiente para solucionar o problema, independente do framework utilizado. Evidente que muitas das dúvidas estão ligadas a tecnologia, JSF no caso, mas estes mesmos problemas também seriam facilmente resolvidos se os desenvolvedores se dessem ao trabalho de tentar entender os fundamentos do framework.

Quando falo dos fundamentos de JSF eu estou me referindo ao ciclo de vida, comunicação entre managed beans, escopos de conversação, árvore de componentes, a idéia por trás dos converters e validators, phase listeners, modelo dos componentes etc.

Desenvolver aplicações JSF guiado por “brute-force” é algo que todo desenvolvedor deveria evitar, de fato, ver um exemplinho (ou demo) básico de um componente, copiar o código, joga-lo na aplicação e ainda por cima achar que deveria funcionar é algo ingénuo demais até mesmo para um programador iniciante.

Pior que isso é continuar tentando fazer o componente ou bloco de código funcionar a todo custo sem nem ao menos ler a documentação do mesmo [por isso o termo "brute-force"].

Não adianta correr para tentar usar os componentes se você não possui os fundamentos básicos sobre JSF ou mesmo sobre desenvolvimento web.

Saber o básico é importante

Saber o básico de qualquer tecnologia é obrigatório, e com JSF não seria diferente. Acredito que em primeiro lugar é importante entender o que é JSF e qual a diferença entre uma implementação e um conjunto de componentes.

Criar e configurar um projeto web JSF faz parte do aprendizado, independente da IDE, claro. Como disse, o interessante é não depender exclusivamente da IDE, mas sim conhecer o mínimo necessário para configurar e rodar um projeto com faces (como as libs necessárias e configuração do web.xml).

Entenda que um managed bean é apenas um POJO e que deveria ser o mais simples possível (refletindo estritamente o necessário da GUI). E por favor, coloque uma vez por todas na sua cabeça que os componentes (através de EL) acessam os valores dos managed beans através dos métodos assessores (getters e/ou setters) e não das propriedades.

Depois disso eu aconselharia o entendimento sobre converters e validators, pois eles tornam o desenvolvimento bem mais simples se comparado a outros frameworks MVC. Principalmente os converters, pois eles sim “quebram um galho” danado!

Entenda como o framework e os componentes disparam/tratam os eventos e listeners, e principalmente quando utiliza-los, pois utilizar um listener incorreto para um determinado cenário pode dificultar muito a sua vida, mesmo que no final a coisa funcione. Praticamente tudo o que você precisa saber estará na documentação do componente.

Procure entender o sistema de regras de navegação entre páginas do JSF, principalmente quando e porquê você deveria usar redirect ao invés de um simples forward. E claro, lembre-se que JSF trabalha (submete formulários) apenas com o método POST, não com GET.

Quando as páginas tornam-se grandes e até complexas vale a pena organizar os blocos de componentes através de componentes “maiores”, ou seja, componentes do tipo naming containers, com eles se torna possível manipular os componentes tanto no lado cliente quanto no lado servidor de forma mais simples.

Os fundamentos chaves do framework também fazem parte do conhecimento básico, ou você acha que apenas saber utilizar os componentes, navegar entre páginas e criar seu próprio validator são suficientes?

Sendo, é muito importante que você os compreenda da melhor forma possível. Provavelmente alguns deles você terá alguma dificuldade de entender no inicio, isto é normal, mas é interessante que você ao menos conheça superficialmente cada um deles.

Comece entendendo como e quando a árvore de componentes é gerada (está muito ligado ao ciclo de vida), busque entender como o JSF persiste o estado da árvore de componentes entre requests e porque utilizar JSTL no momento certo é importante.

Os passos necessários para estender ou construir seu próprio componente é algo também importante, mesmo que você não seja um expert nisso, conheça estes passos. Eu particularmente nunca tive a necessidade de criar um componente, apenas estendi um [uma única vez], e com a gama de componentes hoje em dia eu acho muito difícil -mas não improvável- você precisar criar seu próprio componente.

Um fundamento extremamente importante é conhecer as maneiras como os objetos e managed beans se comunicam entre si numa aplicação JSF, pois sem este conhecimento provavelmente você cometeria erros e subutilizaria o framework na sua aplicação.

E por fim, o mais importante fundamento, sem sombra de dúvidas, é entender o ciclo de vida (lifecycle) das requisições no JSF. Procure entende-lo muito bem, pois assim você evitará horas quebrando a cabeça com problemas relativamente simples (quem nunca teve dificuldades de entender como funciona o atributo immediate?).

Vale salientar que independente do(s) conjunto(s) de componentes que você pretenda utilizar os conceitos acima te permitirão trabalhar de forma prática, correta e produtiva.

Mas vá além do básico

Os conhecimentos básicos são obrigatórios quando se pretende desenvolver qualquer aplicação com JSF, por menor que ela seja, mas a partir do momento que se desenvolve aplicações maiores e até complexas se faz necessário adotar certos frameworks, abordagens e até conhecer ou saber que existem algumas soluções mais interessantes.

Assim como a maioria dos frameworks web, JSF trabalha com páginas, muitas páginas para falar a verdade, e isto nos leva a necessidade de um framework para templating. E sempre que falamos em um framework com esta finalidade para JSF nós não devemos esquecer: Aplicações sérias em JSF usam Facelets.

Para quem ainda acha que deve criar seu converter apenas para formatar e remover máscaras de strings deve se interessar por abordagens mais práticas e produtivas de se trabalhar com componentes e conversão de entidades de domínio da aplicação.

Um dos grandes problemas para quem está começando com JSF e componentes AJAX é a maneira como estes desenvolvedores subutilizam os recursos AJAX do framework e dos componentes. Sendo, vale a pena estudar e adotar uma abordagem mais eficiente para isso, uma abordagem com foco em navegação orientada a estados.

Uma abordagem orientada a estados é realmente eficaz e produtiva, mas em certos momentos precisamos “tunar” as requisições AJAX dos componentes ou mesmo diminuir os gargalos em determinadas páginas, buscar melhores práticas para os conjuntos de componentes e/ou frameworks AJAX adotados para um projeto é dever do desenvolvedor, sejam estas práticas para JBoss Richfaces, Myfaces Trinidad ou qualquer outro.

A Expression Language (EL) do JSF por padrão ainda é bem limitada, porém muito extensível, e muitas vezes precisamos de features bem mais arrojadas, logo, não podemos abrir mão de extensões como a JBoss EL para que assim evitemos implementar soluções bizarras.

Como havia dito antes, JSF trabalha apenas com POST, porém algumas vezes precisamos submeter formulários via GET ou disponibilizar links (bookmarking) que acessam recursos ou executam algum método no managed bean antes de renderizar uma página. E antes que você implemente seu próprio phase listener ou alguma solução nada elegante eu indico a você o framework Restfaces.

Nem todas as aplicações web necessitam de um mecanismo arrojado de segurança, muitas vezes uma simples página de login para autenticação e um Servlet Filter (ou phase listener) para autorização de recursos resolve o problema. Mas qualquer coisa além disso você deveria, obrigatoriamente, partir para um framework especializado no assunto: como o Spring Security ou JAAS.

Já cansei muito de bater na tecla que não existe arquitetura de referência (aka bala-de-prata) para solucionar todos os problemas de softwares, já discuti muito isso na lista do javasf, cejug e já comentei sobre isso em vários posts meus e de colegas.

Mas também sei que muitos desenvolvedores/arquitetos tem dificuldades em dar inicio numa arquitetura base que se integre bem com JSF, desta forma, eu aconselho a leitura de dois excelentes posts do Cagatay como referência básica. 1) sobre a integração de JSF+JPA+Spring com o uso massivo de anotações e 2) com a integração anterior mais o Spring Security e Myfaces Orchestra.

Se por algum motivo você não gosta ou não se dá bem com Spring então vale a pena dar uma olhada em um projeto recente de integração entre JSF e Guice, o Guicesf. O Guicesf foi uma iniciativa do Volnei, um dos membros do JavaServer Faces International Group (javasf), e que está caminhando muito bem diga-se de passagem.

Ainda assim, acredito que se você tem tempo para estudar e levantar uma arquitetura para seu projeto então corra e dê uma olhada no JBoss Seam, pois todos os problemas (escopos conversacionais, LazyInitializationException, bookmarking etc) que você encontrará com JSF e solucionará com a integração de alguns frameworks e componentes você com toda certeza poderá ter a mesma solução muito mais simples e muito melhor implementada no JBoss Seam, ou seja, soluções prontas!

Concluindo

A maior parte do conhecimento que você precisa para se tornar um bom desenvolvedor JSF está ligada aos fundamentos do framework, e aos fundamentos sobre desenvolvimento web. Com estes conhecimentos alinhados você não terá muitas dificuldades.

Além do mais, não se assuste se você tiver alguma dificuldade no inicio, principalmente se você já trabalhou com algum framework action-like, como Struts ou Webwork, pois a maioria dos desenvolvedores vindos do “mundo” action-like são os que mais possuem dificuldades em desenvolver aplicações com JSF.

Não pare por aqui, continue pesquisando e estudando sobre a tecnologia, principalmente sobre as novidades do JSF2.0 que estão por vir. Se você já possui experiência com JSF integrado a outros frameworks então aproveite seu tempo e dê uma chance ao JBoss Seam, pois sem dúvida alguma ele está trazendo grande produtivade no desenvolvimento “Enterprisey”.

Enfim, o intuito do post é abrir os olhos de novos desenvolvedores -e até de alguns veteranos- sobre como desenvolver melhor com JSF, e claro, disponibilizar fontes de estudos (quase todos os links levam a outros posts).

No final de tudo, este post nada mais é do que a minha opinião.