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Limpando a árvore de componentes

Tuesday, June 7th, 2011

A natureza stateful do JSF nos ajuda em muitos cenários ao desenvolver nossas aplicações Web, cenários estes que não são tão simples assim de implementar com frameworks de natureza estritamente stateless, como a maioria dos frameworks action-like. Por outro lado, problemas que são facilmente solucionados ao se utilizar de frameworks action-like são, algumas vezes, extremamente difíceis de se resolver com frameworks component-based, como JSF.

Durante os treinamentos em JSF da TriadWorks, nós nos preocupamos em, juntamente com os alunos, desenvolver uma aplicação Web que explore cenários o mais próximo da realidade, trazendo diversos problemas à tona para que desta forma possamos escrever a solução mais adequada utilizando o framework. Entre estes problemas, existe um absolutamente incomodo, que é a limpeza da árvore de componentes, mais precisamente dos formulários - ocasionado pela natureza stateful da tecnologia, claro.

Há mais ou menos um mês o @DaniloMagrini pediu uma ajuda no Twitter sobre um problema que a equipe dele estava enfrentando, e o problema era justamente a limpeza da árvore de componentes. Um dos membros da equipe do Danilo, o @NeiAlcantaraJr, postou o problema no GUJ e explicou o mesmo de maneira simples e objetiva, sendo, eu acabei respondendo na própria thread.

Problema

A primeira vez que bati de frente com este problema foi por volta de 2006-2007, logo quando comecei a trabalhar com JSF e os componentes do Ajax4Jsf, e a partir daí já expliquei o mesmo inúmeras vezes na lista de discussão da #javasf - você pode encontrar as threads no histórico do grupo - porém, até hoje, não entendi o porquê de eu nunca ter blogado sobre o assunto.

Para não prolongar muito esse post tentando exemplificar como e quando o problema ocorre, eu vou pegar o gancho na thread do GUJ e somente apresentarei a solução aqui no blog - quase que um copy’n paste da minha resposta na thread, porém com mais alguns poucos detalhes.

Portanto, se você não conhece ainda o problema você pode ler o inicio da thread no GUJ. Alias, melhor ainda se você ler a thread inteira.

Mas para os preguiçosos de plantão, o resumo da novela é: nem sempre limpar os dados no managed bean é suficiente para limpar o formulário da página.

Componentes de input

Antes de irmos direto à solução, vale a pena revisarmos como os componentes de input são processados durante do ciclo de vida do faces, pois eles são um pouquinho mais complicados do que você pensa.

Os componentes de input (todos que implementam EditableValueHolder) possuem 3 (três) tipos de valores que são alterados durante o ciclo de vida de uma requisição, eles são:

  1. Submitted Value
  2. Local Value
  3. Value Binding (aka model value)

Esses 3 valores mudam nos componentes durante o ciclo de vida da seguinte maneira:

  • Quando você submete um formulário todos os inputs da página são submetidos como string (parâmetros de request) no corpo HTTP, e na APPLY REQUEST VALUES (2a fase) estes valores são setados nos seus devidos componentes de inputs como “submitted value”;
  • Após isso, na fase de validação (PROCESS VALIDATIONS - 3a fase), cada componente de input tenta converter e validar seu “submitted value”, em caso de sucesso o componente define seu novo valor convertido como “local value” e seta para null seu “submitted value”, continuando assim o ciclo de vida. Em caso de erro de conversão ou validação o componente não define seu “local value” e marca o componente como inválido, que por fim pula para última fase (RENDER RESPONSE);
  • Se não houver erro na fase de validação o ciclo de vida continua na UPDATE MODEL VALUES para popular o modelo (managed bean, entidades etc), ou seja, o “model value”. Para cada componente de input setado no modelo o seu “local value” é setado para null, daí o ciclo passa pela fase INVOKE APPLICATION e termina na RENDER RESPONSE exibindo os valores do modelo (através das EL’s);
Na última fase (RENDER RESPONSE), o componente pode retornar qualquer um dos 3 valores, contudo seguindo essa ordem de prioridade:
  1. Se houver submitted value então retorne-o;
  2. Caso contrário, se o local value é não nulo então retorne-o;
  3. Caso contrário, avalie a EL, ou seja, chame o getter do modelo;

Solução

Entender a prioridade acima é importante, pois assim você mata a charada do problema.

Esse problema independe do conjunto de componentes que seu projeto utiliza e ocorre muito comumente quando trabalhamos com a mesma árvore de componentes, ou seja, quando utilizamos muito AJAX e/ou navegação orientada a estados. Quando utilizamos a navegação padrão do JSF dificilmente isso ocorre!

Todas as soluções que conheço envolve limpar a árvore de componentes que está “suja”:

  1. Navegação padrão do Faces para recriar toda a viewroot (não vale retornar null);
  2. Limpar de maneira educada todos os componentes de inputs;
  3. Limpar os inputs de maneira “brute force” (parentComponent.getChildren().clear() - eles serão recriados na RENDER RESPONSE novamente, porém só funciona com JSF 1.x, pois o 2.x parece seguir corretamente a spec);

Na maioria das vezes eu me utilizo da segunda opção, a tal da “maneira educada” de limpar a árvore de componentes. Contudo, o @DaniloMagrini relatou que esta abordagem não funciona muito bem quando existem composite components na página. Eu sinceramente não lembro de ter tido esse problema, assim como também não pesquisei sobre o assunto. De qualquer forma, o Danilo melhorou a implementação do método cleanSubmittedValues para funcionar com composite components.

Tendo um dos cuidados acima antes de exibir o formulário ou parte dele (via AJAX) vai garantir que os componentes estejam limpos para que o usuário possa entrar novos dados.

No mais, segue alguns links para complementar o que eu disse:

Concluindo

Como podem ver, o problema está intimamente ligado a natureza stateful do JSF, e querendo ou não, nós temos que lidar com ela.

Se você estava apressado e pulou a thread no GUJ então eu aconselho novamente: leia a thread por completo, pois com certeza entender o problema, saber como soluciona-lo e principalmente como os componentes de input trabalham durante o ciclo de vida do faces vai te poupar muitas horas de dor de cabeça.

O que todo bom desenvolvedor JSF deveria saber

Monday, January 19th, 2009

Dificuldades todos temos, principalmente quando estamos aprendendo uma nova tecnologia, framework ou paradigma, e isso torna-se ainda pior quando não temos qualquer interesse em aprender sobre os mesmos.

Não é de hoje que percebo que a maioria das dúvidas postadas sobre JSF em listas de discussão e fóruns estão intimamente ligadas a falta de conhecimento base sobre a tecnologia ou mesmo sobre os conceitos na qual o framework (JSF) foi construído - sim, estou falando de conceitos sobre desenvolvimento web e component-based.

É óbvio que JSF existe para tentar abstrair toda a complexidade existente no desenvolvimento web Java, complexidade esta que deveríamos evitar, mas é indispensável termos o mínimo de conhecimento sobre a mesma. Pois se você acha que apenas conhecendo os componentes você construirá uma aplicação decente então você está enganado.

Assusto-me com o número de dúvidas na javasf em que o mínimo de conhecimento sobre web seria suficiente para solucionar o problema, independente do framework utilizado. Evidente que muitas das dúvidas estão ligadas a tecnologia, JSF no caso, mas estes mesmos problemas também seriam facilmente resolvidos se os desenvolvedores se dessem ao trabalho de tentar entender os fundamentos do framework.

Quando falo dos fundamentos de JSF eu estou me referindo ao ciclo de vida, comunicação entre managed beans, escopos de conversação, árvore de componentes, a idéia por trás dos converters e validators, phase listeners, modelo dos componentes etc.

Desenvolver aplicações JSF guiado por “brute-force” é algo que todo desenvolvedor deveria evitar, de fato, ver um exemplinho (ou demo) básico de um componente, copiar o código, joga-lo na aplicação e ainda por cima achar que deveria funcionar é algo ingénuo demais até mesmo para um programador iniciante.

Pior que isso é continuar tentando fazer o componente ou bloco de código funcionar a todo custo sem nem ao menos ler a documentação do mesmo [por isso o termo "brute-force"].

Não adianta correr para tentar usar os componentes se você não possui os fundamentos básicos sobre JSF ou mesmo sobre desenvolvimento web.

Saber o básico é importante

Saber o básico de qualquer tecnologia é obrigatório, e com JSF não seria diferente. Acredito que em primeiro lugar é importante entender o que é JSF e qual a diferença entre uma implementação e um conjunto de componentes.

Criar e configurar um projeto web JSF faz parte do aprendizado, independente da IDE, claro. Como disse, o interessante é não depender exclusivamente da IDE, mas sim conhecer o mínimo necessário para configurar e rodar um projeto com faces (como as libs necessárias e configuração do web.xml).

Entenda que um managed bean é apenas um POJO e que deveria ser o mais simples possível (refletindo estritamente o necessário da GUI). E por favor, coloque uma vez por todas na sua cabeça que os componentes (através de EL) acessam os valores dos managed beans através dos métodos assessores (getters e/ou setters) e não das propriedades.

Depois disso eu aconselharia o entendimento sobre converters e validators, pois eles tornam o desenvolvimento bem mais simples se comparado a outros frameworks MVC. Principalmente os converters, pois eles sim “quebram um galho” danado!

Entenda como o framework e os componentes disparam/tratam os eventos e listeners, e principalmente quando utiliza-los, pois utilizar um listener incorreto para um determinado cenário pode dificultar muito a sua vida, mesmo que no final a coisa funcione. Praticamente tudo o que você precisa saber estará na documentação do componente.

Procure entender o sistema de regras de navegação entre páginas do JSF, principalmente quando e porquê você deveria usar redirect ao invés de um simples forward. E claro, lembre-se que JSF trabalha (submete formulários) apenas com o método POST, não com GET.

Quando as páginas tornam-se grandes e até complexas vale a pena organizar os blocos de componentes através de componentes “maiores”, ou seja, componentes do tipo naming containers, com eles se torna possível manipular os componentes tanto no lado cliente quanto no lado servidor de forma mais simples.

Os fundamentos chaves do framework também fazem parte do conhecimento básico, ou você acha que apenas saber utilizar os componentes, navegar entre páginas e criar seu próprio validator são suficientes?

Sendo, é muito importante que você os compreenda da melhor forma possível. Provavelmente alguns deles você terá alguma dificuldade de entender no inicio, isto é normal, mas é interessante que você ao menos conheça superficialmente cada um deles.

Comece entendendo como e quando a árvore de componentes é gerada (está muito ligado ao ciclo de vida), busque entender como o JSF persiste o estado da árvore de componentes entre requests e porque utilizar JSTL no momento certo é importante.

Os passos necessários para estender ou construir seu próprio componente é algo também importante, mesmo que você não seja um expert nisso, conheça estes passos. Eu particularmente nunca tive a necessidade de criar um componente, apenas estendi um [uma única vez], e com a gama de componentes hoje em dia eu acho muito difícil -mas não improvável- você precisar criar seu próprio componente.

Um fundamento extremamente importante é conhecer as maneiras como os objetos e managed beans se comunicam entre si numa aplicação JSF, pois sem este conhecimento provavelmente você cometeria erros e subutilizaria o framework na sua aplicação.

E por fim, o mais importante fundamento, sem sombra de dúvidas, é entender o ciclo de vida (lifecycle) das requisições no JSF. Procure entende-lo muito bem, pois assim você evitará horas quebrando a cabeça com problemas relativamente simples (quem nunca teve dificuldades de entender como funciona o atributo immediate?).

Vale salientar que independente do(s) conjunto(s) de componentes que você pretenda utilizar os conceitos acima te permitirão trabalhar de forma prática, correta e produtiva.

Mas vá além do básico

Os conhecimentos básicos são obrigatórios quando se pretende desenvolver qualquer aplicação com JSF, por menor que ela seja, mas a partir do momento que se desenvolve aplicações maiores e até complexas se faz necessário adotar certos frameworks, abordagens e até conhecer ou saber que existem algumas soluções mais interessantes.

Assim como a maioria dos frameworks web, JSF trabalha com páginas, muitas páginas para falar a verdade, e isto nos leva a necessidade de um framework para templating. E sempre que falamos em um framework com esta finalidade para JSF nós não devemos esquecer: Aplicações sérias em JSF usam Facelets.

Para quem ainda acha que deve criar seu converter apenas para formatar e remover máscaras de strings deve se interessar por abordagens mais práticas e produtivas de se trabalhar com componentes e conversão de entidades de domínio da aplicação.

Um dos grandes problemas para quem está começando com JSF e componentes AJAX é a maneira como estes desenvolvedores subutilizam os recursos AJAX do framework e dos componentes. Sendo, vale a pena estudar e adotar uma abordagem mais eficiente para isso, uma abordagem com foco em navegação orientada a estados.

Uma abordagem orientada a estados é realmente eficaz e produtiva, mas em certos momentos precisamos “tunar” as requisições AJAX dos componentes ou mesmo diminuir os gargalos em determinadas páginas, buscar melhores práticas para os conjuntos de componentes e/ou frameworks AJAX adotados para um projeto é dever do desenvolvedor, sejam estas práticas para JBoss Richfaces, Myfaces Trinidad ou qualquer outro.

A Expression Language (EL) do JSF por padrão ainda é bem limitada, porém muito extensível, e muitas vezes precisamos de features bem mais arrojadas, logo, não podemos abrir mão de extensões como a JBoss EL para que assim evitemos implementar soluções bizarras.

Como havia dito antes, JSF trabalha apenas com POST, porém algumas vezes precisamos submeter formulários via GET ou disponibilizar links (bookmarking) que acessam recursos ou executam algum método no managed bean antes de renderizar uma página. E antes que você implemente seu próprio phase listener ou alguma solução nada elegante eu indico a você o framework Restfaces.

Nem todas as aplicações web necessitam de um mecanismo arrojado de segurança, muitas vezes uma simples página de login para autenticação e um Servlet Filter (ou phase listener) para autorização de recursos resolve o problema. Mas qualquer coisa além disso você deveria, obrigatoriamente, partir para um framework especializado no assunto: como o Spring Security ou JAAS.

Já cansei muito de bater na tecla que não existe arquitetura de referência (aka bala-de-prata) para solucionar todos os problemas de softwares, já discuti muito isso na lista do javasf, cejug e já comentei sobre isso em vários posts meus e de colegas.

Mas também sei que muitos desenvolvedores/arquitetos tem dificuldades em dar inicio numa arquitetura base que se integre bem com JSF, desta forma, eu aconselho a leitura de dois excelentes posts do Cagatay como referência básica. 1) sobre a integração de JSF+JPA+Spring com o uso massivo de anotações e 2) com a integração anterior mais o Spring Security e Myfaces Orchestra.

Se por algum motivo você não gosta ou não se dá bem com Spring então vale a pena dar uma olhada em um projeto recente de integração entre JSF e Guice, o Guicesf. O Guicesf foi uma iniciativa do Volnei, um dos membros do JavaServer Faces International Group (javasf), e que está caminhando muito bem diga-se de passagem.

Ainda assim, acredito que se você tem tempo para estudar e levantar uma arquitetura para seu projeto então corra e dê uma olhada no JBoss Seam, pois todos os problemas (escopos conversacionais, LazyInitializationException, bookmarking etc) que você encontrará com JSF e solucionará com a integração de alguns frameworks e componentes você com toda certeza poderá ter a mesma solução muito mais simples e muito melhor implementada no JBoss Seam, ou seja, soluções prontas!

Concluindo

A maior parte do conhecimento que você precisa para se tornar um bom desenvolvedor JSF está ligada aos fundamentos do framework, e aos fundamentos sobre desenvolvimento web. Com estes conhecimentos alinhados você não terá muitas dificuldades.

Além do mais, não se assuste se você tiver alguma dificuldade no inicio, principalmente se você já trabalhou com algum framework action-like, como Struts ou Webwork, pois a maioria dos desenvolvedores vindos do “mundo” action-like são os que mais possuem dificuldades em desenvolver aplicações com JSF.

Não pare por aqui, continue pesquisando e estudando sobre a tecnologia, principalmente sobre as novidades do JSF2.0 que estão por vir. Se você já possui experiência com JSF integrado a outros frameworks então aproveite seu tempo e dê uma chance ao JBoss Seam, pois sem dúvida alguma ele está trazendo grande produtivade no desenvolvimento “Enterprisey”.

Enfim, o intuito do post é abrir os olhos de novos desenvolvedores -e até de alguns veteranos- sobre como desenvolver melhor com JSF, e claro, disponibilizar fontes de estudos (quase todos os links levam a outros posts).

No final de tudo, este post nada mais é do que a minha opinião.